Avaliações
de desempenho
Segundo
Chiavenato (2008) avaliação de desempenho é um processo que serve para julgar
ou estimar o valor, a excelência e as competências de uma pessoa e, sobretudo,
qual é a sua contribuição para o negócio da organização.
De
acordo com Marras (2011) Avaliação de desempenho (AD) é um instrumento
gerencial que permite ao administrador mensurar os resultados obtidos por um
colaborador e sua equipe, em período e área específicos (conhecimentos, metas,
habilidades etc.).
A
Avaliação de Desempenho é uma ferramenta da gestão de pessoas, que visa
analisar o desempenho individual ou de um grupo de funcionários em uma
determinada empresa. É um processo de identificação, diagnóstico e análise do
comportamento de um colaborador durante certo intervalo de tempo, analisando
sua postura profissional, seu conhecimento técnico e sua relação com os
parceiros de trabalho. Este método tem por objectivo analisar as melhores
práticas dos funcionários, proporcionando um crescimento profissional e
pessoal, visando um melhor desempenho de suas funções no ambiente de trabalho.
Além disso, é uma importante ferramenta de auxílio à administração de recursos
humanos da empresa, alimentando-a com informações que auxiliam na tomada de
decisão sobre práticas de bonificação, aumento de salários, demissões,
necessidades de treinamento e demais acções
Finalidade
da avaliação de desempenho
A
avaliação de desempenho tem como finalidade utilizar um sistema de avaliação
global, ou seja, para toda a instituição e para que todos visem o mesmo
caminho. Para a organização, a avaliação de desempenho permite identificar a
adequação do colaborador ao cargo, bem como possíveis desfalques de gestão e
divergências que podem estar impedindo que a instituição alcance seus
resultados da maneira esperada. Sobretudo, identifica claramente o nível de
aproveitamento do capital humano. A partir das informações adquiridas na
avaliação, é possível desenvolver meios de neutralizar os desfalques
encontrados, seja oferecendo treinamentos, criando processos ou utilizando
outras estratégias que estabeleçam uma cultura organizacional de
alta performance e resultados progressivos. Pôs ela serve para:
ü Identificar
o estágio actual do colaborador e direccionar um caminho para todos;
ü Fazer
um levantamento de treinamentos necessários para os colaboradores;· Favorecer adaptação para cargos estipulados.
Tipos
de avaliação de desempenho
Existem
diversos tipos de aplicações do método de avaliação de desempenho, as mais
democráticas e participativas que proporcionam ao próprio funcionário a
possibilidade de auto avaliar-se em seu desempenho, as que atribuem a responsabilidade
de avaliação ao Gerente para reforçar a hierarquia. Também as que atribuem à
avaliação de desempenho a equipe, principalmente quando as organizações são
estruturadas e auto suficientes, e ainda as que adoptam um processo circular de
360 graus ou rede de avaliação. Independente de qual método utilizado, a
avaliação de desempenho tem como finalidade primordial definir posições e
funções adequadas ao colaborador afim de que ele, ao desempenhar o seu papel, o
faça de maneira correcta, satisfazendo as necessidades da organização.
Escala
gráfica
Consiste
em um formulário de dupla entrada no qual as linhas representam os factores que
estão sendo avaliados e as colunas o grau de avaliação. Cada grau tem um valor
em pontos e isso é que irá avaliar se o colaborador é óptimo, bom, regular,
sofrível ou fraco.
A
etapa inicial desse método é a escolha e definição dos factores que servirão
como o instrumento de aferição e comparação do desempenho dos funcionários
envolvidos. São exemplos: quantidade e qualidade do trabalho, capacidade de
cooperação, criatividade, realização, assiduidade etc. Os factores de avaliação
constituem comportamentos e atitudes seleccionados e valorizados pela
organização. Assim, os funcionários que mais os ostentam são aqueles que desempenham
melhor as suas actividades, não importando exactamente qual o cargo que ocupam.
O número de factores de avaliação varia conforme os interesses de cada
organização, indo de 5 a 10 factores, em geral. A segunda etapa é a definição
das escalas de variação do desempenho em cada factor de avaliação. Geralmente,
utilizam-se três, quatro ou cinco graus de variação (óptimo, bom, regular,
sofrível e fraco) para cada factor. Com os factores de avaliação e respectivos
graus, monta-se a escala gráfica de avaliação. O método das escalas gráficas
reduz as opções de avaliação aos graus de variação dos factores de avaliação, o
que limita as possibilidades do avaliador. É também muito criticado, pois reduz
os resultados da avaliação a expressões numéricas através de tratamentos
estatísticos ou matemáticos para proporcionar valores objectivos para a
avaliação das pessoas.
Chiavenato
(2008) ilustra esse método, conforme figura abaixo:

Escolha
forçada
É
um método que foi desenvolvido durante a grande segunda guerra para escolha de
oficiais à serem promovidos pelo exército. Trata-se de um formulário organizado
em bloco de duas ou quatro frases onde o avaliado irá escolher de maneira
forçada qual a frase que melhor se aplica ao seu desempenho.
Cada
bloco é composto de duas, quatro ou mais frases. O avaliador deve escolher
forçosamente apenas uma ou duas frases em cada bloco que mais se aplicam ao
desempenho do funcionário avaliado. Ou então, escolher a frase que mais
representa o desempenho do funcionário e a frase que mais se distancia dele. As
principais vantagens desse método são: evita o efeito de generalização (hallo
efect) na avaliação, tira a influência pessoal do avaliador, isto é, a
subjectividade, não requer treinamento dos avaliadores para sua aplicação.
Quanto às desvantagens pode-se citar: complexidade no planejamento e na
construção do instrumento; não proporciona uma visão global dos resultados da
avaliação, não provoca retroacção de dados, nem permite comparações, técnica
pouco conclusiva a respeito dos resultados; nenhuma participação activa do
avaliado. Segue um exemplo do formulário utilizado nesse método de avaliação:

Incidentes
críticos
Neste
método o avaliador se preocupa somente em avaliar os pontos fortes e fracos do
avaliado, apontando os extremos sem analisar os traços de personalidade.
Essa
técnica requer um registro por escrito e concentra-se em determinar os grandes
pontos fortes e os grandes pontos fracos do avaliado (pontos críticos) que
interferem positiva ou negativamente no resultado organizacional. Geralmente há
disponíveis duas afirmativas (uma positiva e outra negativa) e o avaliador
classifica o avaliando em uma delas. Suas principais vantagens são: avaliar o
desempenho excepcionalmente bom e excepcionalmente ruim; enfatizar os aspectos
excepcionais do desempenho; método de fácil montagem e fácil utilização. Por
outro lado, não se preocupa com aspectos normais do desempenho e peca por
fixar-se em poucos aspectos do desempenho. Daí, ser tendencioso e parcial.

Comparação
aos pares
Também
conhecido como combinação binária é o método de avaliação que compara dois a
dois colaboradores de cada vez e se anota em uma coluna aquele que é
considerado melhor quanto ao desempenho, neste método pode-se também utilizar
factores de avaliação. Assim cada folha do formulário seria ocupada por um factor
de avaliação de desempenho.

Auto
avaliação
Método
em que o próprio indivíduo avalia seu desempenho que pode ser através de
relatórios. Escalas gráficas, ou frases descritivas. Só tem validade quando tem
um grande grau de maturidade profissional.

Avaliação
por resultados
É
um método pouco utilizado em nosso país, é feito através da comparação
periódica entre metas previamente fixadas para cada individuo e os resultados
realmente alcançados.

Avaliação
360°
Um
dos métodos de avaliação de desempenho mais utilizados na atualidade, se
diferencia dos demais, pois possibilita a minimização daquilo que mais preocupa
todo e qualquer gestor responsável em um processo de avaliação.
A
Avaliação de desempenho 360º tem por finalidade oferecer o feedback (retorno)
de todas as fontes, incluindo supervisores, colegas, subordinados, a própria
pessoa e clientes.
Baseia-se
na utilização de formulários via internet ou em papel que dão origem a
relatórios individuais, os quais são subsídios para acções futuras e planos de
melhoria individual. Dentre suas principais vantagens, cita-se: é mais
abrangente; reúne várias perspectivas; a qualidade das informações tende a ser
melhor; pode suavizar noções tendenciosas/preconceitos, visto que o feedback
vem de mais pessoas; o feedback dos colegas e de outros pode contribuir para o
auto-desenvolvimento do funcionário. Ao contrário, as desvantagens se referem a
complexidade na combinação de todas as respostas; o feedback pode ser
intimidante e causar ressentimento; pode haver opiniões conflitantes, embora
precisas, de cada ponto de vista respectivo; os funcionários podem tramar ou
jogar com o sistema; os avaliadores podem não se responsabilizar por suas
avaliações, se elas forem anónimas.

Pesquisa
de campo
Esta
pesquisa tem como objectivo avaliar todo meio ambiente das instalações,
condições de trabalho, facilidades e dificuldades que os colaboradores
encontram nas intermediações da instituição, ou seja, coisas que dificultem o
bom rendimento, produtividade e atinjam a performance.
O
método segue quatro etapas, a saber: entrevista de avaliação inicial,
entrevista de análise complementar, planejamento das providências e
acompanhamento posterior dos resultados. Suas principais vantagens são:
envolver responsabilidades do gerente e do RH assessorando; permitir
planejamento de acções para o futuro; proporcionar profundidade na avaliação do
desempenho. Quanto às desvantagens tem-se o custo operacional pela assessoria
de especialista, demanda tempo; pouca participação do avaliado.
Relatório
por performance
Esta
avaliação faz o comparativo entre a performance actual e a performance a ser
atingida, dentro das condições internas da instituição, sendo feito um
acompanhamento periódico da evolução entre o passado, presente e futuro, isso
facilita em qual área deve ser dado a maior atenção para solução dos problemas.
Avaliação
Participativa por Objectivos (APPO)
Baseada
na participação activa do colaborador e seu gerente ou superior. É democrática,
participativa, envolvente e motivadora. Segundo Chiavenato (2008), a APPO tem
06 etapas:
1.
Formulação de objectivos consensuais: os objectivos são conjuntamente
formulados entre o colaborador e seu gerente por meio de negociação entre ambos
para alcançar o consenso; não há imposição.
2.
Comprometimento pessoal para o alcance dos objectivos formulados: é
indispensável o comprometimento o avaliado para alcançar os objectivos
definidos; contrato formal ou psicológico.
3.
Negociação com o gerente sobre a alocação dos recursos e meios necessários para
o alcance dos objectivos: sem recursos e meios o alcance dos objectivos
definidos não se concretizará; podem ser materiais, investimentos pessoais, entre
outros.
4.
Desempenho: comportamento e a estratégia pessoal escolhida pelo avaliado para
alcançar os objectivos com os quais se comprometeu. Cabe ao gerente o
aconselhamento e a orientação.
5.
Constante monitoração dos resultados e comparação com os objectivos formulados:
verificar a relação custo/benefício envolvida no alcance dos objectivos.
6.
Retroacção intensiva e contínua conjunta: o avaliado precisa ter uma clara
percepção e feedback de como está caminhando e o gerente deve ajudá-lo neste
aspecto.
A
APPO mostra diferente dos métodos apresentados anteriormente na medida em que
seu foco está mais voltado ao desempenho futuro do indivíduo do que o passado.
Ademais, os objectivos e metas não são impostos de cima para baixo; são
consensuais e compartilhados, além do cuidado com medições adequadas e
comparativas e retroacção constante. Nesse método, duas ferramentas são
fundamentais: o relatório de responsabilidades básicas e os padrões de
desempenho para cada uma delas. O primeiro relaciona todas as actividades que o
colaborador deverá desempenhar, enquanto os padrões de desempenho se referem a
descrições dos resultados a serem alcançados. Enfim, o ciclo APPO consiste em
definir objectivos e responsabilidades, desenvolver padrões de desempenho, avaliar
o desempenho e, novamente, redefinir o desempenho e assim recomeçar todo o
processo.
Quando
aplicar a avaliação de desempenho
A
avaliação de desempenho deve ser aplicada periodicamente, de preferência 360,
para que a instituição tenha noção da população que se instala. Este
procedimento varia de empresa para empresa, pois algumas optam por o método
mais tradicional, ou seja, semestralmente. O ato de avaliar e ser avaliado é
influenciado no dia-a-dia do funcionário, isto é, o feedback que o gestor directo
avalia para decidir o futuro deste funcionário dentro da empresa, se o mesmo se
adapta a continuar exercendo a mesma função ou se já está preparado para
exercer uma nova responsabilidade dentro da organização.
Benefícios da
avaliação de desempenho
- Identificação
da necessidade de realizar treinamentos;
- Desenvolvimento
contínuo do capital humano;
- Maximização
da produtividade de cada profissional;
- Aumento
de motivação e engajamento dos colaborares;
- Redução
significativa de turn over;
- Potencialização
de resultados.
Conclusão
Chegando
ao fim, concluímos que a avaliação de desempenho pode ser considerada como uma
ferramenta de apoio ao desenvolvimento profissional dos colaboradores, mas para
isso a organização deve dar um retroacção aos colabores sobre o desempenho de cada um,
seja ele negativo ou positivo, fazendo com que os colaboradores sejam
estimulados à se desenvolverem e crescerem profissionalmente junto com a
organização. A avaliação de desempenho permite que a organização alinhe suas
estratégias junto aos empregados quando os processos de trabalho são avaliados,
ou seja, como os empregados estão desempenhando seu papel. A avaliação de
desempenho também tem como objectivo observar quais os empregados estão em
acordo com a cultura organizacional e quais não estão. Se os que não estão
alinhados deverão ser desligados ou não. Também pode ser utilizada como uma
ferramenta para recompensa (aumento salarial) para os merecedores.
Bibliografia
CHIAVENATO,
Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas
organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008
HRONEC,
Steven M. Sinais Vitais: usando medidas de desempenho da qualidade, tempo e
custo para traçar a rota para o futuro da empresa. São Paulo: Makron Books,
1994.
MEIRELES,
Claudia A., MELO, Rogério Bandeira, ESTENDER, Antônio Carlos. Estudo de caso:
Gestão de pessoas e avaliação de desempenho nas organizações. Revista
Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.7, n.2, p.23-39, TRI II.
2013. ISSN 1980-7031
LUITZ,
Mário Paulo; REBELATO, Marcelo Giroto. Avaliação do desempenho organizacional.
In: ENEGEP, 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário