quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Diminutivos eruditos e Derivação parassintética

 

Diminutivos eruditos

Na língua literária e culta", especialmente na terminação científica, aparecem formações modeladas no latim em que entram sufixos -ulo (-ula) e -culo (-cula), com as variantes -áculo (-ácula), -iculo (-icula), -úsculo (úscula) e únculo (úncula):

v  ovo – óvulo

v  currículo

v  forma – fórmula

v  cálculo

v  pele – película

v  ridículo

v  cela – célula

v  cubículo

v  globo – glóbulo

v  canícula

v  verso – versículo

v  lóbulo

v  uva – úvula

v  testículo

v  gota – gotícula

v  pílula

v  corpo – corpúsculo

v  clavícula

v  modo – módulo

v  vírgula

v  monte – montículo

v  ventrículo

v  parte – partícula

v  questiúncula

v  nota – nótula

v  abelha (latim apicula-)

v  osso – ossículo

v  ovelha (latim ovicula-)

 

Alguns destes diminutivos eruditos poderão parecer-nos mais “camuflados”, se não conhecermos o étimo latino de certas palavras:

 

v  nó latim nodu-) – nódulo

v  obra (latim opus) – opúsculo

v  feixe (latim fasce-) – fascículo

v  roda (latim rota-) – rótula

v  rei (latim rege-) – régulo

v  cabeça (latim capit-) – capítulo

v  pé (latim pede-) – pedículo, pedúnculo

 

 

Outros, então, encontram-se muito mais “escondidos”, pois formaram-se dentro do latim:

 

v  mus em latim significa «rato»: músculo significa, pois, «ratinho», pela semelhança de certos músculos, quando contraídos, com pequenos ratos sob a pele.

v  os em latim significa «boca»: ósculo significa, então, «boquinha»; por extensão de significado, ganhou o sentido de «beijo».

v  anus em latim significa «ânus», cujo diminutivo é anellus, que originou a palavra anel.

 

 

Derivação parassintética 

.A derivação parassintética é mais um processo de formação de palavras. Uma palavra derivada é aquela que é formada a partir de uma palavra já existente, isto é, de uma palavra primitiva. Por exemplo, se acrescentamos um prefixo ou sufixo a uma palavra primitiva, nova palavra surge. A esse processo linguístico de formação de palavras damos o nome de “derivação”.

Porém, é preciso que, nesse processo de formação de palavras, o acréscimo de prefixo e sufixo seja simultâneo. Se houver acréscimo apenas de prefixo (“pré-história”), temos uma derivação prefixal. Já no caso de acréscimo apenas de sufixo (“historiador”), temos uma derivação sufixal

A derivação parassintética é um tipo específico de derivação, caracterizado pelo acréscimo de um prefixo e um sufixo, ao mesmo tempo, a uma palavra primitiva. É o que ocorre, por exemplo, com o vocábulo “desalmado”, pois ele é formado pelo acréscimo do prefixo “des-” e do sufixo “-ado” à palavra primitiva “alma”.

 

 

Exemplos:

v  Amaciar → a + macio + ar

v  Amadurecer → a + maduro + ecer

v  Apodrecer → a + podre + cer

v  Descampado → des + campo + ado

v  Esquentar → es + quente + ar

v  Envergonhar → en + vergonha + ar

v  Enfileirar → en + fileira + ar

v  Submarino → sub + mar + ino

 

Os  Vocábulos como “deslealdade” e “infelizmente” são resultantes de derivação prefixal e sufixal, portanto não são exemplos de derivação parassintética. Isso porque “desleal” e “lealdade” têm sentido próprio, o que indica que a palavra “deslealdade” não foi formada a partir do acréscimo de prefixo e sufixo ao mesmo tempo.

O mesmo acontece com “infelizmente”, já que existe o termo “felizmente”, de forma a indicar que o vocábulo não se formou pelo acréscimo, ao mesmo tempo, de prefixo e sufixo. Assim, uma palavra originária de derivação parassintética, como “apodrecer”, é formada pela adição de um prefixo e de um sufixo, ao mesmo tempo, à palavra primitiva “podre”, pois não existem os termos “apodre” nem “podrecer”.

 

 

 

 


 

Conclusão

Este trabalho mostrou que a formação de diminutivo mostra as caraterísticas diferentes da derivação, da flexão e do composto, ou seja, essa formação tem estatuto independente na gramática. E a derivação é um processo que consiste no acréscimo de morfemas a um radical já existente, a fim de representar um conceito relacionado à palavra original. Ou é Processo de formar palavras no qual a nova palavra é derivada de outra, chamada de primitiva.

 

 

 


 

Bibliografia

Brakel, A. Boundaries in a Morphological Grammar of Portuguese, em: Word 32, pp. 193- 212, 1981.

Câmara Jr, M. Estrutura da Língua Portuguesa. Vozes. Petrópolis, Rio de Janeiro, 1970.

Di Sciullo A. M. & E. Williams. On the Definition of Word. MIT Press, 1987.

Bin Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte iul.pt/artigos/rubricas/idioma/diminutivos-eruditos/4305

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